O Dia dos Namorados deve reforçar em 2026 sua posição entre as datas mais relevantes para o varejo brasileiro. A expectativa do setor é que cerca de 93 milhões de consumidores realizem compras ao longo do período, movimentando mais de R$22 bilhões em diferentes segmentos da economia, do comércio eletrônico às lojas físicas. O desempenho esperado mantém a data entre as principais sazonalidades do calendário nacional e amplia a pressão sobre empresas que disputam atenção em um ambiente digital cada vez mais competitivo.
Nos últimos anos, a relevância do período cresceu junto com a expansão das compras online e da participação de pequenos e médios negócios no comércio eletrônico. Em 2025, o e-commerce brasileiro faturou R$9,23 bilhões durante o Dia dos Namorados, resultado 15,1% superior ao registrado no ano anterior e que consolidou a data como uma das mais importantes para o varejo digital brasileiro.
O avanço das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) também tem contribuído para intensificar a disputa por conversão nas sazonalidades do comércio. Levantamento divulgado pela Olist mostrou que pequenas e médias empresas movimentaram mais de R$1,4 bilhão em vendas entre os dias 4 e 10 de maio, semana que antecedeu o Dia das Mães de 2026. O volume representa crescimento de 25,4% em relação ao mesmo período do ano passado e evidencia o fortalecimento dos pequenos lojistas no ambiente digital.
Mas, apesar do crescimento do setor e do aumento do fluxo de consumidores nas plataformas de e-commerce, empresas ainda enfrentam um desafio considerado estrutural no varejo online: a dificuldade de transformar intenção de compra em conversão efetiva. Dados reunidos pelo setor mostram que as taxas de abandono de carrinho podem ultrapassar 80% em determinadas jornadas digitais, especialmente em compras realizadas pelo celular e em períodos marcados por forte apelo emocional, como o Dia dos Namorados.
Segundo André Carius, CEO e cofundador da Coder Ivy, jornadas emocionalmente carregadas alteram a lógica tradicional da decisão de compra e tornam consumidores mais sensíveis a fricções durante a navegação. “Diferente de compras mais racionais, em datas como o Dia dos Namorados, o consumidor carrega expectativa afetiva, receio de errar na escolha e menor tolerância ao esforço durante a navegação. Quando encontra excesso de opções, experiências genéricas ou dificuldade para identificar rapidamente o que faz sentido para aquele momento, a tendência é adiar ou abandonar a compra”, afirma.
O cenário revela uma mudança importante no comportamento do consumidor. Se nos últimos anos o varejo concentrou esforços em atrair audiência e ampliar alcance nas plataformas digitais, agora o principal gargalo passa a ser a sustentação da decisão de compra. Em um ambiente marcado por excesso de opções, múltiplos estímulos e jornadas fragmentadas entre aplicativos, marketplaces e redes sociais, consumidores têm demonstrado cada vez menos tolerância para experiências consideradas lentas, confusas ou genéricas.
Para especialistas do setor, parte desse comportamento está ligada ao avanço da chamada fadiga de decisão, fenômeno associado à dificuldade de concluir escolhas diante do excesso de alternativas disponíveis no ambiente digital. No caso do Dia dos Namorados, esse processo tende a ganhar um componente ainda mais sensível, já que a compra normalmente envolve expectativa afetiva, pressão emocional e receio de errar na escolha do presente.


