São Paulo, outubro de 2026 – Em famílias que passaram por uma separação, datas comemorativas podem evidenciar conflitos que, no dia a dia, já afetam a convivência entre pais e filhos. No Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, questões relacionadas à guarda, aos períodos de convivência e à relação entre os responsáveis podem ganhar ainda mais tensão. Quando esses conflitos passam a interferir na relação da criança com um dos genitores, é preciso atenção para possíveis situações de alienação parental.
Prevista pela Lei nº 12.318/2010, a alienação parental acontece quando a formação psicológica da criança ou do adolescente é induzida ou manipulada por um dos genitores para afastar e prejudicar o vínculo com o outro. Na prática, isso se traduz em atitudes como dificultar a convivência, esconder informações importantes sobre a rotina do filho ou criar obstáculos frequentes para o convívio familiar.
O tema tem ganhado cada vez mais espaço e urgência nos debates sobre a proteção da infância. Em maio de 2026, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluiu formalmente a alienação parental no rol de violências psicológicas contra crianças e adolescentes, ao lado de condutas como manipulação, isolamento e agressões verbais. O alerta ganha ainda mais peso diante dos dados do Atlas da Violência 2026, publicado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública: impressionantes 79,9% das agressões não letais contra crianças de 0 a 4 anos acontecem dentro de casa. Os dados confirmam que a violência doméstica continua sendo a principal ameaça durante a infância.
Para a advogada de família Thaís Marques, do escritório Martins Cardozo Advogados Associados, o grande desafio é proteger os filhos do impacto dos desentendimentos dos pais. “Quando um casamento chega ao fim, a relação do casal acaba, mas a missão de ser pai e mãe continua para a vida toda. A criança tem o direito de manter o convívio com a família e não pode ser usada como objeto de disputa. O perigo real surge quando o conflito do ex-casal transborda e passa a alterar a forma como o filho enxerga, sente e se relaciona com o outro genitor”, alerta a especialista.
Abaixo, a advogada compartilha orientações práticas para identificar sinais de alienação parental e agir com sensibilidade e responsabilidade:
Fique atento às mudanças de comportamento
“Alterações bruscas de humor, ansiedade, isolamento, queda no rendimento escolar ou uma rejeição repentina a um dos pais são sinais claros de que a criança está em sofrimento emocional. Claro que esses sinais, isoladamente, não provam a alienação parental. É preciso olhar o todo, entender o momento em que começaram e se há um gatilho específico. O essencial aqui é acolher a criança, dar escuta sem pressionar e jamais fazer perguntas que a obriguem a tomar um lado”, orienta Thaís.


