O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça os policiais militares Cláudio Alves dos Prazeres Júnior, Igor Portugal da Fonseca e Rafael Vieira da Silva, investigados pela morte do funcionário terceirizado da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) Welson Figueredo Macedo, de 28 anos. O crime ocorreu em julho deste ano, no bairro de Castelo Branco, em Salvador.
A denúncia foi oferecida no dia 18 de dezembro, mas a informação só foi divulgada nesta quinta-feira (26). A Justiça vai avaliar os pedidos feitos pelo órgão estadual no curso da instrução criminal. Caso seja aceito, eles se tornarão réus.
👉 O MP-BA pediu o afastamento cautelar dos suspeitos do policiamento ostensivo por 180 dias, além da proibição de acesso ao bairro onde ocorreu o crime e contato com testemunhas e familiares da vítima enquanto durar a instrução processual.
Segundo a denúncia, a vítima foi atingida por um tiro de carabina nas costas, que causou um traumatismo abdominal que a levou a óbito. Com base em testemunhos e imagens de câmeras de segurança, presentes no inquérito policial, a denúncia desconstrói a versão dos denunciados de que Welson estaria armado e teria trocado tiros com os militares.
Testemunhas, como um colega de trabalho, afirmam que a vítima não portava arma e as imagens mostram que Welson retornava do trabalho quando foi baleado, diferentemente do alegado pelos militares.
Cláudio Alves, Igor Portugal e Rafael Vieira, PMs indiciados pelo homicídio de Welson Figueredo, em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia
Cláudio Alves, Igor Portugal e Rafael Vieira, PMs indiciados pelo homicídio de Welson Figueredo, em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia
Os policiais afirmaram que perseguiam três suspeitos de roubo e, durante a troca de tiros, Welson foi atingido. No entanto, as imagens mostram que a vítima não tinha ligação com o trio e foi atingido após os homens terem passado.
Ainda na denúncia, o MP-BA detalhou que os militares teriam removido a bolsa e a motocicleta da vítima, deslocado a viatura policial para outro local e adicionado arma de fogo na cena do crime para simular um confronto. Porém, a perícia não encontrou vestígios de pólvora nas mãos de Welson.
Os denunciados ainda poderão ser responsabilizados por crime de fraude processual, pela alteração da cena do crime. Por ser considerado um delito militar, a investigação será analisada por uma Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial para tomada das medidas cabíveis.
O processo tramita no 2º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador.
Família luta por justiça. G1 BAHIA


